quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Nossas Exigências e Relacionamentos

Nossas Exigências e Relacionamentos



O jeito que nos relacionamos com os outros dependerá de como nos relacionamos conosco. Se for muito crítico com você mesmo, certamente será muito crítico com os outros. Se não confia em si mesmo, será muito difícil que confie nos outros. Se você se sente inseguro, outras pessoas irão gerar grande insegurança em você. 

Portanto, é muito importante que, quando discutimos relações, descubramos como nos relacionamos com nós mesmos. E é por isso que a meditação da amorosidade é tão importante. Com essa meditação podemos realmente aprender a sermos nossos melhores amigos e a diminuir nossa dependência com relação a outras pessoas.

Às vezes, o que acontece é que usamos os outros para suprir nosso próprio senso de inadequação. Assim é como damos muito de nosso poder e energia a outras pessoas. Deixamos que nossa própria felicidade ou infelicidade sejam dependentes dos outros.

Embora sejamos crescidos, ainda temos nossos brinquedos na forma de coisas externas, das quais nos tornamos dependentes em nosso entretenimento e nossa felicidade.

Feito ­­­­crianças, continuamente trocamos de brinquedo. Quando temos um, pensamos: “Agora isto me fará feliz”, mas pouco depois, já estamos infelizes com aquele brinquedo em particular e, então, começamos a procurar por outros. Por toda nossa vida estamos procurando por brinquedos e, no fim, continuamos insatisfeitos".

"Os relacionamentos podem enfrentar desafios quando nos apercebemos dos defeitos das outras pessoas. Qualquer que seja o relacionamento, por vezes vemos a outra pessoa a comportar-se de uma maneira diferente daquela que pensamos que deveria se comportar. Habitualmente, quando vemos as fraquezas das outras pessoas temos tendência para nos tornarmos muito críticos.

Queremos que sejam diferentes e zangamo-nos com elas. Achamos que são inferiores a nós e tentamos corrigi-las. Isso demonstra que exigimos um determinado comportamento das pessoas.

É engraçado como na vida fazemos exigências a nós mesmos, de como devemos nos comportar. Exigimos a nós próprios comportarmos de acordo com o nosso próprio modelo de perfeição.
Do mesmo modo, projetamos o nosso modelo de perfeição nos outros. Consequentemente, exigimos que o seu comportamento corresponda ao modelo de perfeição que temos em relação a eles.

Mas ficamos por aí? Não, até à vida exigimos que seja como gostaríamos que fosse. Vejamos o clima, por exemplo. Quando está um tempo característico da Holanda, exigimos que seja como no Sri Lanka! Quando o tempo está como o do Sri Lanka, ficamos muito felizes e quando está como o da Holanda ficamos infelizes.

É realmente engraçado como exigimos coisas da vida, como exigimos coisas de nós próprios, como exigimos coisas dos outros. Naturalmente que não conseguimos satisfazer todas as exigências que fazemos a nós mesmos, e claro que os outros não conseguem satisfazer todas as exigências que lhes fazemos.

Aqui vemos uma forma muito simples e direta que utilizamos para criar o nosso próprio sofrimento. Criamos os nossos próprios problemas sem nos apercebermos de que advêm das exigências que nos impomos, sem nunca levantar a questão: 'Até que ponto são realistas as minhas exigências?'"


Godwin Samararatne

fonte: Folhas no Caminho
http://folhasnocaminho.blogspot.com.br/